24 de mai. de 2011

A dor


Não consigo imaginar como medir uma dor.
Como sentí-la ou como descrevê-la.
Não a dor do amor não correspondido.
Não a dor da saudade da família.
Não a dor de um machucado feio.
Mas a dor do vazio.
A dor do nunca mais.
A dor de sentir falta. Falta do que acabou.
Falta Do que, ou de quem morreu.
A dor de não ouvir mais a voz.
Nunca mais.
A dor de não ver mais aquele sorriso.
De nunca mais estar perto disso ou de quem se foi.
Se foi pra sempre. De verdade.
Dor de separar o que era inseparável.
Dor de uma perda repentina.
Como medir a mais completa escuridão?
A perda dos sentidos?
A perda de um amor. De um filho. De uma ilusão.
Não imagino como medir essa dor.
Com que palavras acalentar,
Como dizer que vai passar?
Como saber que amanhã vou acordar ao teu lado,
Que vai se despedir, mas que vai voltar pra casa?
 Não consigo imaginar a sensação de não ter.
De nunca mais viver com, viver para.
A vida, nada mais é do que isso:
Momentos.
E a morte,
A incerteza de estar-se vivo.

23 de mai. de 2011

Insone

Tic TAC
Escuro
Silêncio. Quase silêncio.Barulho do ventilador.
Gira, girando…tic TAC
Pensamentos rodando.  O dia que não foi bom.
O dinheiro que não entrou. A palavra que não foi dita.
Claro. Luz azul da tela.
Tela sem visão. Tele visão.
Passos no chão, vira, vira, escuro.
Escuridão. Barulho do ventilador.
Gira, girando, pensamentos que voam.
Asas que voam mais não saem do chão.
Tempo perdido, dias inacabados que acabam em solidão.
Tic Tac…dias que virão.
Turbilhão.
Dúvida do sim, incerteza do não.
Felicidade ou ilusão?
Gira, girando, barulho de carros passando.
Vidas  opostas que se vão.
Tic Tac. Calor. Frio. Calor.
Corpo nu, mente sã…coração?
Jogar fora coisas velhas, ser mais organizada,
amanhã vou acordar cedo.
Tic Tac… silêncio.
Tic Tac…escuro. Vazio.
Mais uma noite sem sonhos.