É o segredo mais gostoso
O desejo que não se realiza
A poesia mais confusa. O texto mais simples.
É a palpitação fora de hora.
É como a peça de roupa que não se usa, mas não se desfaz.
Como a carta que não se joga fora.
O passatempo de tempo em tempo.
O quebra-cabeça de trinta mil peças.
É como um bom livro de mistério que não se descobre o fim. (Só supõe)
É como a música que sempre vai tocar. ( Mesmo que não faça mais sucesso)
É o sorriso no canto da boca. (Discreto/Tímido.)
É a ausência premeditada.
O olhar fortuito.
O abraço sem espaço.
A telepatia não recíproca.
É quase o que nunca foi.
Diferente, igual, estranho.
E sem a menor necessidade.
03/09/2014- 20:30
5 de set. de 2014
Vagalume
Invade.
Chega rasgando o que era coração.
Nenhuma razão impede a dor.
De repente, é uma enxurrada de ais.
É o cheiro, a música, o livro.
A TV, a carta, o elevador.
Lembrança do que foi sem ser.
Tudo faz lembrar. Tudo faz esquecer.
Lembra. Esquece. Lembra. Esquece.
Acende. Apaga.
É o escuro e uma ridícula paisagem.
É a claridade.
A espera. A esperança.
23/08- 22:40
Chega rasgando o que era coração.
Nenhuma razão impede a dor.
De repente, é uma enxurrada de ais.
É o cheiro, a música, o livro.
A TV, a carta, o elevador.
Lembrança do que foi sem ser.
Tudo faz lembrar. Tudo faz esquecer.
Lembra. Esquece. Lembra. Esquece.
Acende. Apaga.
É o escuro e uma ridícula paisagem.
É a claridade.
A espera. A esperança.
23/08- 22:40
Vagando
Em um suspiro, posso chegar ao seu lado.
Sinto seu cheiro
Mistura de limão com ilusão.
Cheiro doce de uma lembrança ácida.
Algo que nunca iria ser.
Nada Impede, nada aproxima.
Apenas lembranças.
Sem dor, pudor, louvor ou amor.
Coisa sem graça, que me faz rir.
22/08 - 23:15
Sinto seu cheiro
Mistura de limão com ilusão.
Cheiro doce de uma lembrança ácida.
Algo que nunca iria ser.
Nada Impede, nada aproxima.
Apenas lembranças.
Sem dor, pudor, louvor ou amor.
Coisa sem graça, que me faz rir.
22/08 - 23:15
22 de mai. de 2014
Fotografia
Pinto a menina no retrato
com sorriso de suicídio
alma lavada com a dor de estar emoldurada.
Sua pele é lisa como cêra
Unhas bem pintadas
Têmporas maquiadas
Expressão singela de espera
Olhos baixos por não ver a vida passar.
Uma coroa de ouro
na cabeça sem mente
uma frase escrita
num corpo dormente.
Pontas dos pés de bailarina
Nas mãos, carnificina
Matou o pássaro que sabia voar.
00:30
com sorriso de suicídio
alma lavada com a dor de estar emoldurada.
Sua pele é lisa como cêra
Unhas bem pintadas
Têmporas maquiadas
Expressão singela de espera
Olhos baixos por não ver a vida passar.
Uma coroa de ouro
na cabeça sem mente
uma frase escrita
num corpo dormente.
Pontas dos pés de bailarina
Nas mãos, carnificina
Matou o pássaro que sabia voar.
00:30
21 de jan. de 2014
Família Vende tudo
Sempre que via essa placa em algum lugar, eu ficava triste.
Pensava, que pena, vão ter que recomeçar. Será que perderam
o emprego? Será que alguém morreu?
Será que vão ter que voltar para a
casa dos pais?
E essas crianças? Vão ter que se desfazer do seu lar?
Que pena. Família vende tudo pra mim era como: Família perde
tudo.
Foi assim a vida toda, e quando vim pra São Paulo, vi muitas
placas dessas em vários lugares. Pensava: Que pena. Essa cidade é muito agressiva mesmo, esses ai devem voltar para o“interior”.
Os anos passaram, trabalhei, trabalhei e trabalhei nessa
capital de concreto. Cresci, casei, criei meus filhos. Na verdade, eles estão se
criando. E hoje, depois de muitos anos, quando passo por alguma placa dessa eu penso: Que maravilha,
também quero vender.
Será que eles estão indo pra Bali? Será que resolveram
largar essa falsa segurança, esses dias de estresse, essa tensão constante e foram viajar? Será que
compraram uma casinha menor lá na praia e vão acordar com o barulho do mar? E as crianças? Será que
voltarão a ser livres?
A ser criança novamente? Também queria vender tudo.
Vender toda a hipocrisia, todos os bens que são considerados
indispensáveis. Vender a ilusão de que só se é feliz
casando, tendo filhos e comprando uma casa. Vender todos os computadores e os jogos que deixam nossos filhos alienados,
porém, vender também toda a violência que não os deixam sair de casa.
Daqui a alguns anos quero ter essa placa na porta da minha
casa (futura ex-casa).
E infelizmente alguns vão pensar que nem eu antigamente: Que pena, lutaram
tanto e morreram na praia.
Mas é isso ai, eu quero morrer na praia. Quero morrer no sul
da Itália. Quero morrer no interior de Minas. Ou melhor, eu não quero morrer. Quero viver. Quero aprender. Quero
ser diferente de todos que estão ao meu redor e pensar que o
certo, é o que me faz feliz.
Que o medo, me paralisa. Que vender tudo pode significar
apenas: livrar-se de todas as amarras.
Quero sim, ainda ter coragem de um dia colocar no
jornal:
"Família vende tudo."
E se me perguntarem o por quê, ai sim, será o começo de uma grande
história.
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