10 de abr. de 2020

Diário de uma Quarentena - dia 28


Observa o teu corpo 

Inspira, expira.
Observa o teu corpo.

Estufa o peito e
Expira.
Mas expira profundo,
Por muitos segundos.
Coloca o tronco pra trás,
Abre os braços,
Fecha os olhos,
Acaba esse ar.

Joga pra fora tudo que insiste em ficar
O que sufoca
O que entope
O que te faz estremecer.

Inspira
Expira.
Solta o AR.
Observa o teu corpo.

Relaxa esses músculos
Entreabre a boca
Abaixa os ombros
Balança a cabeça.

Expira,
Para de jogar lixo no seu pulmão,
Fumaça na sua mente,
Chicote no seu corpo.

Solta a mão de quem te oprime
Solta as amarras que te aprisionam
Solta os pensamentos que colocaram na sua cabeça
(Eles não são seus)
Observa a tua mente.

Expira.
EXALA
Externa

Coloca pra fora o seu brilho.
Faz aquilo que você nunca/sempre
planejou.

FAZ.
Não deixa esse vendaval
Te engolir.

Inspira, expira.
Observa o teu corpo
Cuida da tua mente
(re)começa a sorrir.

5 de abr. de 2020

Diário de uma Quarentena - Dia 23

Se és uma menina, uma mulher.
Aceita-te como és.
Reconhece-te primeiro. Tentar reler tudo aquilo que já escrevestes.
O tempo passou.
Certamente não és mais aquela.

Quando foi que parou para te (re)conhecer?
Como sabes o que continua igual dentro de ti?
Como buscar algo novo se tu não sabes o que tens dentro?
Ainda existe medo? Angústia?
O que te faz querer parar? O que te faz querer mover ?
Ainda foges?
O que diz a batida do teu coração?

E essa sensação de falta de ar em alguns momentos. O que ela te fala?
O que é o “ar” que te falta?
Ainda existe coragem? Ou tens que recriá-la?
aceita-te.

Aceita toda a ansiedade e a fragilidade.
Aceita o desespero que a falta de controle te dá.
Reconhece-te. Aceita-te. Acomoda-te.
Acomoda esse vazio, esse anseio, essa inquietude, essa fome.
Acomoda o medo. O frio. A sensação de solidão.

Aceita que tu não és feita só de risos, cores e força.
Mas aceita também que não és triste. Tu não és fraca.
Aceita a tua dualidade.
Relembra o que te faz bem.
Volta a escrever.
Fica em silêncio e escuta.

Escuta
A Tua
Alma.

Fecha os olhos.
você consegue.
Se não hoje,
amanhã.
Todos os dias,
Procura por você.

Aceita-te ,
para se refazer e,
desfazer e,
renascer.

7 de dez. de 2016

Descarte


Fito a paisagem
Olhar indeciso;
Admiro a névoa que chegou.
As águas correm devagar,
Galhos secos;
Nostalgia que se instala no ar.
Penso e decido deixar o vento levar.
Coração pesado
Nem o tempo vai justificar essa partida.
Voa,
Não precisa mais voltar,
Quero ser leve.

25 de out. de 2016

Nostalgia

Eu queria ter dito adeus
Me despedido daquela menina; olhado nos seus olhos,
e susurrado: Vai dar tudo certo.
Eu Queria ter me preparado melhor.
Queria não sentir esse vazio agora que ela já foi.
Não sentir essa saudade.
Queria entender e acreditar que tudo vai se encaixar novamente.
Ah menina, como você está distante.  E que dor me traz a sua ausência.
Dor silenciosa. Sem cura.
Quem dera você voltasse.
Queria abrir os olhos e sentir você aqui.
Queria ser de novo, aquela menina.






10 de ago. de 2016

Tóxico


Saiu com a capa sob o rosto.
A chuva se confundia com as lágrimas discretas.
Estava destinada ao fracasso.
Seu coração sangrava e seu pensamento era um emaranhado de idéias desconexas.
Vagando pelas ruas descobriu sua própria sombra e suspirou.
Ela só queria ser real.
Percorreu todo o caminho de volta
tentando descobrir quais os erros fizeram esse momento existir.
Ela sentiu frio. Solidão. Desamparo.
Pela primeira vez estava perdida dentro das suas próprias ruas.
Andava e só encontrava becos sem saída.
Tristeza que não desistia fácil.
Como apagar esse vazio?
Como esquecer a dor que causou?
Ela lutou. Ela tentou.
Mas  aquilo não fazia o menor sentido.
Tudo era escuridão. E machucou.
Ela só queria ser livre,
Acabou presa na própria mente.










9 de ago. de 2016

Fulgaz

Olho no olho
Palavras nunca antes ditas
Todos os sonhos e imaginação foram escaneados para fora da mente dele.
Não havia mais timidez.
Tudo que era complicado ficou simples.
Só existia a vontade de falar a verdade. De tocar. De viver.
Por um segundo ele esqueceu de pensar.
Fechou os olhos, sorriu e embarcou naquele trem.
As imagens eram  flashs em branco e preto.
Todo o frio do gelo havia derretido pela intensidade do momento.
Boca com boca. Ele a beijou.
Foi rápido. 1 minuto de coração fora do peito. Pulsando.
Um minuto de respiração ofegante.
Um minuto de completa e total entrega.
A calmaria no furacão chamado indecisão.
Um minuto de trezentos e vinte segundos.
Um minuto e acabou.
O trem chegou ao seu destino.
(e era longe dela)




4 de ago. de 2016

Bom dia


Cortinas fechadas
Sonambulismo mental
Totalmente imersa no vazio de não ser
Sono profundo.

Na luz do dia
Imagens distorcidas
Barulho de TV e buzina
Impossível de ler
Ressaca.

O café quente acalma o sangue frio
Bebo a indiferença.
A rotina. O tédio.

Não foi falta de carinho
Foi o tempo.
São onze horas e
Perdi a mania de você.