26 de nov. de 2013

Abrigo


Sinto o calor que sufoca,
O cansaço que enfraquece,
A pressão que desanima.
Por que estou dentro dessa caixa? (finjo que não sei...)
Pensamentos enlatados, decisões rotuladas, idéias que não agregam.
Quero sair desse abismo, que no fundo é finito (dá pra ver daqui)
Como uma caixa de dor,
Sem mistério nem flor.
Tenho que abrir esse nó, espiar pela fresta
Derrubar essa parede, sair dessa festa. (Barulho infernal)
Coração apertado,
Corpo  banido... ideal esquecido. 
Quero me entregar, esquecer o jantar 
Viver como indigente, voltar a ser gente. 
Vou sair de lá,
Destruir esse lugar (quebrar tudo)
Passar a borracha, que não vai apagar.
Cabeça doendo, caixa fervendo 
Preciso pular (vamos?)
Achar o hangar
que vai me abrigar (salvar).

3 de jul. de 2013

Amanhecer




Trimmm. Tocou o despertador. 

Era pra ela acordar, tomar banho, escovar os dentes e ir trabalhar.
Mais um dia comum, contas a pagar, reuniões, reclamações,
muita coisa pra fazer.
Mal acabou o dia e ainda tinha academia. Antes de dormir,
estudar pra aula da semana que vem.
Repassou tudo isso na mente antes de abrir os olhos.
Pegou o celular olhou as redes sociais, email, páginas de notícias.

Trimmmmm. Tocou o despertador. 

Levantou, tomou banho, escovou os dentes e acordou.
Acordou. Abriu os olhos. Enxergou.
Ela cansou do mesmo. Só o pensamento já era cansativo. Entediante.
Fechou a página do livro e foi reescrever sua história.
Ela cansou de ser mais uma na multidão, de ter os mesmos sonhos e desejos.
E foi fazer a diferença. Pro mundo? Não, pra si mesma.
E foi ser a diferença. E foi ter a diferença.
Esqueceu todos os planos e saiu em busca do brilho no olhar.
Aquele sem explicação, sem opinião, aquele que só ela consegue enxergar.
Foi procurar a lua no deserto, ver as geleiras no mar.
Saiu sozinha pra procurar aquele urso, o polar
Ela foi  encontrar.
Desistiu da casa, desistiu dos filhos,
e até da segurança de um grande amor.
Ela foi pintar, desenhar, entender como seria viver.

Trimmmmm. Tocou o despertador.
Ela acordou pra realizar algo que ninguém, sequer,
consegue imaginar.