10 de ago. de 2016

Tóxico


Saiu com a capa sob o rosto.
A chuva se confundia com as lágrimas discretas.
Estava destinada ao fracasso.
Seu coração sangrava e seu pensamento era um emaranhado de idéias desconexas.
Vagando pelas ruas descobriu sua própria sombra e suspirou.
Ela só queria ser real.
Percorreu todo o caminho de volta
tentando descobrir quais os erros fizeram esse momento existir.
Ela sentiu frio. Solidão. Desamparo.
Pela primeira vez estava perdida dentro das suas próprias ruas.
Andava e só encontrava becos sem saída.
Tristeza que não desistia fácil.
Como apagar esse vazio?
Como esquecer a dor que causou?
Ela lutou. Ela tentou.
Mas  aquilo não fazia o menor sentido.
Tudo era escuridão. E machucou.
Ela só queria ser livre,
Acabou presa na própria mente.










9 de ago. de 2016

Fulgaz

Olho no olho
Palavras nunca antes ditas
Todos os sonhos e imaginação foram escaneados para fora da mente dele.
Não havia mais timidez.
Tudo que era complicado ficou simples.
Só existia a vontade de falar a verdade. De tocar. De viver.
Por um segundo ele esqueceu de pensar.
Fechou os olhos, sorriu e embarcou naquele trem.
As imagens eram  flashs em branco e preto.
Todo o frio do gelo havia derretido pela intensidade do momento.
Boca com boca. Ele a beijou.
Foi rápido. 1 minuto de coração fora do peito. Pulsando.
Um minuto de respiração ofegante.
Um minuto de completa e total entrega.
A calmaria no furacão chamado indecisão.
Um minuto de trezentos e vinte segundos.
Um minuto e acabou.
O trem chegou ao seu destino.
(e era longe dela)




4 de ago. de 2016

Bom dia


Cortinas fechadas
Sonambulismo mental
Totalmente imersa no vazio de não ser
Sono profundo.

Na luz do dia
Imagens distorcidas
Barulho de TV e buzina
Impossível de ler
Ressaca.

O café quente acalma o sangue frio
Bebo a indiferença.
A rotina. O tédio.

Não foi falta de carinho
Foi o tempo.
São onze horas e
Perdi a mania de você.